2° Prêmio FIESP de Conservação e Reuso de Água


Data da notícia: 01/03/2007

Santista Têxtil e Termogal vencem o 2º Prêmio Fiesp
de Conservação e Reúso da Água

Paulo Skaff, Presidente da FIESP, Luiz Donizeti Rocha Diretor da Termogal, Nelson Pereira dos Reis Diretor do Departamento de Meio Ambiente-FIESP, Antonio Bonaldo de Pádua e Pedro de Araujo -Termogal



A Santista Têxtil Brasil S.A. foi a grande vencedora da segunda edição do Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso da Água, realizada ontem (21), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Na categoria de pequena empresa, o troféu foi para a Termogal Tratamento de Superfícies Ltda. A Duratex S.A e a Petrobras/Replan (Refinaria de Paulínia, SP) foram, respectivamente, a segunda e a terceira colocadas.


A escolha das vitoriosas é feita por uma comissão julgadora multidisciplinar, que funciona com total independência e não tem membros da Fiesp entre seus integrantes.

Durante o evento, que contou com a presença de empresários, professores universitários, autoridades e lideranças políticas – como o presidente da Cetesb, Fernando Rei, e o deputado federal Paulo Bornhausen –, foram lembradas as diversas ações de responsabilidade social e ambiental encampadas pela indústria.

O presidente do Sistema Fiesp, Paulo Skaf, enfatizou que “só nesta semana, a federação realizou a entrega de um prêmio de cinema, inaugurou a mostra do acervo do Museu Solidariedade Salvador Allende, firmou acordos com o Conselho Nacional de Justiça para fortalecer a segurança jurídica do País e, agora, entrega o Prêmio da Água, reconhecendo os esforços e o ótimo exemplo das indústrias que adotam medidas de preservação da água, este bem tão valioso para toda humanidade”.



O diretor-titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, destacou algumas constatações importantes verificadas ao longo do processo de seleção dos projetos concorrentes.

“Observou-se que 35% das empresas já tinham sistemas de conservação e reúso da água implantados há mais de três anos. Também foi positivo descobrir que, embora os projetos selecionados pertençam majoritariamente a empresas de médio e grande porte, poderiam ser implantados com sucesso e bons resultados financeiros por indústrias de qualquer porte”, disse, agradecendo às indústrias que se dispuseram a participar do concurso: “Compartilhar as boas práticas é dar um bom exemplo”, elogiou.

Reis lembrou que, além de recomendar o reúso e a conservação da água, a Fiesp também adota medidas eficazes para economizar água em sua sede: “A troca de válvulas e torneiras e a manutenção constante do sistema hidráulico, entre outras providências, representaram uma economia de 40% na quantidade de água consumida”, revelou o diretor.


Conheça os cases das empresas citoriosas

CATEGORIA MÉDIO-GRANDE PORTE

1º Lugar: Santista Têxtil Brasil S.A.
Município: Americana (SP).
Atividades: fiação, tecelagem, tinturaria, acabamento, inspeção, depósito e expedição de tecidos.
Projeto: “Reúso de Água da Unidade de Americana”.
Descrição da ação: projeto em três fases: redução do desperdício por meio da racionalização do uso da água; reúso da água nos processos industriais; e melhoria dos processos de tratamento de efluentes.

Para tanto, foram instalados seis medidores de vazão para consumo de água e seis controladores de bóia nas torres de refrigeração da unidade, além de válvulas com fechamento automático em pontos de consumo. Foi feita também uma campanha de conscientização quanto ao desperdício de água. Os processos de reúso deram-se nos processos industriais, na mercerizadeira, nos cilindros resfriadores, na torre de resfriamento do alfa e na refrigeração dos compressores.
Benefícios obtidos: redução do consumo de água.
Redução de custos relacionados: a implantação do reúso de água e de efluente resulta numa economia anual de R$ 5.348.944,96.

2º Lugar: Duratex
Município: Jundiaí (SP).
Atividade: transformação de barro em produto vitrificado.
Projeto: “ARM - Área de Recuperação de Materiais”.
Descrição da ação: a ARM é composta por quatro tanques que recebem todo o efluente gerado na unidade industrial. Após o enchimento dos tanques, uma amostra é retirada, para se determinar a quantidade de produtos químicos a ser adicionada para se conseguir realizar o tratamento. Esse volume é adicionado em um béquer, por regra de três define-se os volumes a serem adicionados aos tanques.
Com a adição dos produtos químicos, ocorre a floculação (aglutinação) dos sólidos contidos no efluente e sua precipitação, após ter-se desligado o agitador do tanque. Com a sedimentação dos sólidos, esses ficam alojados na parte inferior do tanque. Após a sedimentação é realizada a drenagem da água limpa da parte superior do tanque.
Do volume total do tanque, aproximadamente 90% passam a ser ocupados pela água limpa e apenas os 10% inferiores, ocupados pelo lodo sedimentado. Após a drenagem da água limpa, realiza-se o bombeamento do lodo para tanques denominados de tanques de lodo, sendo dois para massa e dois para esmalte.
A água pronta para ser bombeada para seu reaproveitamento dentro da fábrica é armazenada em dois tanques de 75m3 cada um, sendo que existe um circuito particular para a água da ARM, cuja bomba é controlada por pressão. Toda vez que a pressão do circuito atinge um valor mínimo, a bomba é ligada.
Nos tanques de água tratada é realizada a adição de hipoclorito de sódio para evitar a contaminação da água a ser reusada, por microorganismos. O lodo acumulado nos tanques é processado com a utilização de um filtro-prensa de operação automática. O material, depois de prensado, está pronto para sua destinação final.
No caso do lodo de esmalte, essa destinação é um aterro industrial e o lodo de massa, 30% do material gerado é encaminhado para boxes de matérias-primas da fábrica e reutilizado como tal. Os outros 70% também são destinados ao aterro.
Benefícios obtidos: redução de captação de água e a redução de extração de matérias-primas, em função da reutilização de parte do sólido filtro-prensado.
Redução de custos relacionados: economia anual de R$47.000,00.

3º lugar: Petrobras/Replan
Município: Paulínia, SP
Atividade: refino de petróleo
Projeto: “Redução do consumo de água e da vazão de efluentes através do gerenciamento das fontes e reutilização de águas - a experiência da refinaria de Paulínia”
Descrição da ação: a ação foi dividida em três níveis de redução do consumo e/ou reúso.
1) Aplicação Imediata: eliminação dos desperdícios e redução no consumo/reuso por meio de modificações em procedimentos operacionais. Incluem-se nessa categoria a Estação de Tratamento de Água e as Unidades de Craqueamento Catalíticos.
2) Aplicação de Médio Prazo: eliminação/redução no consumo ou reúso, a partir de pequenas alterações de processo que demandavam pequenos investimentos ou manutenção corretiva simples a partir da identificação da causa básica de pequenas anomalias (vazamentos, etc.) Incluem-se: Unidades de destilação 1 e 2, Estação de Tratamento de Água, Unidade de Coqueamento Retardado, Unidades de geração de hidrogênio e hidrotratamento, Áreas de utilidade, Unidades de craqueamento catalítico e Área de transferência e estocagem.
3) Aplicação a Longo Prazo: eliminação/redução do consumo ou reuso a partir de grandes modificações de processo que demandavam novos estudos e projetos, cujos investimentos eram de grande monta. Incluem-se: Unidades de destilação 1 e 2, Unidade de coqueamento retardado, unidade de hidrotratamento.
Benefícios: redução na captação de água e na vazão de efluentes.
Total de redução de água para ETDI:
- Ações imediatas: 45,3 m3/h
- Aplicações a médio prazo: 312,0 m3/h
- Aplicações a longo prazo: 119,4 m3/h

CATEGORIA PEQUENO PORTE

Vencedora: Termogal Tratamento de Superfícies LTDA
Município: Itu (SP)
Atividade: prestação de serviços galvanotécnicos em Cobre, Níquel, Estanho, Prata, Anodização, Alodinização, Fosfatização.
Projeto: “Implantação de Sistema de Recuperação com Reúso de Matéria-Prima e Água em Circuito Fechado da Galvanoplastia com Descarte Zero de Efluentes Industriais.
Descrição de ação: O primeiro conjunto de trocas iônicas foi iniciado na linha de Estanho ácido. A proposta seguinte foi recuperar a Prata e remover Cianeto. Implantaram-se dois conjuntos reatores de troca iônica para atender a um tanque rotativo e quatro tanques parados do eletrólito de Prata Cianídrica. Na seqüência, implantou-se o reator de troca iônica para remoção de Cianeto e Cobre, para a linha de Cobreação Cianídrica usada como base para deposição da Prata, Estanho e Níquel. O Níquel Watts recebeu um equipamento semelhante ao do Estanho ácido, embora esse eletrólito seja pouco utilizado.
Finalmente, todos os pontos listados no projeto inicial tiveram seus processos segregados, com inclusão da recuperação da água originária de filtro-prensa da ETE, normalmente resíduos de piso e descartes eventuais de algum tanque de processo da anodização, fechando-se cem por cento os circuitos de usos de água na planta galvânica, finalizando-se a implantação. Na ETE-G, também houve aproveitamento das águas de chuva, de um telhado com 115m2.
Benefícios: redução do uso de água de reposição da rede pública. A linha de Estanho Ácido reduziu o consumo de água em 98,3%, equivalentes a 778,5m3/ano, e reduziu o desperdício de Estanho metálico em torno de 100 kg/ano. A linha de Prata Cianídrica Rotativa reduziu o consumo de água em 99% equivalentes a 392m3/ano e eliminou o desperdício de cerca de 5 kg de Prata metálica/ano. A linha de Cobre Cianídrico reduziu o consumo de água em 97% equivalentes a 640m3/ano e eliminou o desperdício de cerca de 10 kg de Cobre metálico ano. A linha de Níquel Watts Rotativa, reduziu o consumo de água em 95%, o equivalente a 627m3/ano.